terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Carta


Os tempos estão difíceis por aqui, menina das historias.

Tudo tão cheio de nuvens, tudo tão frio...

Desde que você sumiu, as coisas desandaram... Rodopiei tanto, achataram tanto.

Me sinto fina e oca, tão tonta... Ando tonteando por ai...

Me imagina rodando igual aqueles rodamoinhos cheios de folhas que tanto nos impressionam quando somos criança? Pois é, vai me achar todo fim de tarde cambaleando entre as folhas e as poeiras.

Me procura lá um dia desses, as tardes estão agradáveis... Aquele frio que tanto me cai bem, o final do sol que tanto lhe cai bem, o vento... Mas é raro ver uma das chuvas que nos prometemos tanto não é?

Se não se importar por elas, te prometo um café. Me perdoe mas terei que optar pelo chá, mas te acompanho na conversa de cafeteria. Sabe café nunca me caiu bem... Você sempre me escapou bem.

As noites frias como esta, sempre me lembram você. Não porque me esquentou um dia, até porque a cabeça anda querendo o calor de alguém que se quer consegui te contar. Acho que não tem mais paciência pras minhas historias, decidiu me punir assim me privando das suas.

As noites frias me lembram das nossas conversas, e como era fácil acalmar na bagunça em que deixava minha cabeça.

Ontem perdi a cabeça... Destruí tudo que tinha dentro de mim, gritei as coisas todas em que não solto a... Nem lembro o ultimo dia em que as pronunciei.

Achei o alfinete que tinha escondido em alguma parte do meu corto e me furei inteira, as artérias, as veias, os interiores todos que pertencem ao meu corpo. Hoje achei que seria pior, frio, noite, alfinete a mostra. Estou com medo.

Tanto medo do que eu possa vir a fazer. Medo de sentir mais frio do que eu consiga suportar. Medo de nunca mais falar com você...

Percebo, hoje... que ninguém entenderia a necessidade que temos uma da outra, assim temos que por amar tanto ficar longe... amamos tanto elas que... Ah! não existem moças como nós hoje em dia, somos feitas pra casar, feitas pra apaixonar até morrer. De paixão ou do coração (rima idiota digna das nossas conversar noturnas rs)

Foi bom falar com você, menina. Assim que decidir o que farei com o alfinete volto a contatar. Te acho ai do outro lado da cidade, sentada de novo no meu imaginário em uma esquina qualquer.

Saudade!!!

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