
Abri os olhos, e como em um sonho senti no vento o violeta... fechei os olhos pensando delirar... me levantei e sai..
Andei tanto, quanto mais andava sentia o vendo batendo contra mim, sentia ele por dentro da roupa, o engolia.
Ela me faz sentir mais, foi com essa frase que soltaram sacos e mais sacos de cores em pó... rosa, azul céu, mar, verde... flores, sonhos em amarelo... o vento que vinha ao encontro do meu rosto agora gritava o roxo, o que levantava meus cabelos para a esquerda trançavam em bordô. Meus olhos atentos acompanhavam cada movimento daquele balé de misturas em pó e cores e sorrisos, meus.
O vento que me incentivava em ir pra frente tocava em mim em verde água... as cores se misturavam e em cada nova mistura, sentia uma vontade louca de andar mais e mais rápido, sentir todas elas em mim.
As cores andavam conforme o vento, cada um com seu significado... foi uma explosão de sentidos, ventava tanto e eu tentava olhar cada movimento, cada mistura... o Tatuapé nunca viu tantas cores, tanta vontade, tanto...
Parei, abri os braços, elas passavam por entre eles, entrava na roupa, ventava... e elas entravam em mim...
Quanto tempo uma pessoa demora para entrar? Quanto tempo demora para que essa mesma não possa sair nunca mais?
Olhei para cima e lá, lá longe tudo parecia calmo. Tão sereno quanto os olhos dela...
Pensar nela é vermelho... intensamente vermelho... não existe misturas, não existe explosões, é vermelho do mais forte, do mais difícil de se achar...
Tudo rodou, rodei junto. Tudo voltou a girar, como antes, como no brinquedo no parque, como no restaurante de beira de estrada, como aquele dia quieto de tempos atrás. Girou tão forte quanto todos esses dias, mas existiam cores, todas as cores... me vi outra vez girando com a companhia de toda a escala existente de essências. As misturei tanto que há vi vermelho... senti em vermelho. Eu acho mesmo que me apaixonei por você, eu acho mesmo que é você que não pode sair daqui. Foi assim que gritei no Tatuapé.
Sentei em um banco qualquer, acabei de ouvir o ultimo trecho de acordes cantantes... A ventania agora me vinha como brisa, calma e prazerosa... lembrei da sua boca, e do tom dos traços da sua mão... mãos, tão minhas...
Levantei, sorri do jeito que você merece, respirei o máximo possível, peguei de você o máximo possível, sonhei com você o impossível.
Abri os olhos, mais um dia, mais um dia colorido ao redor, vermelho lindo... tão lindo em você.

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